No auge das canetas emagrecedoras, a desinformação é componente rápido para espalhar notícias incertas. Foi o que aconteceu com a comparação do uso do Ozempic à perda óssea, feita pela cantora norte-americana Avery, após ser diagnosticada com a doença aos 30 anos de idade.
O relato levantou questionamentos sobre a possível relação entre o uso do fármaco e a perda de massa óssea. “O Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida, é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para obesidade. Até o momento, não há evidências científicas que comprovem uma ligação direta entre o uso da semaglutida e a perda de massa óssea. Este efeito colateral não consta, inclusive, na bula como efeito adverso”, destaca o Dr. Carlos Cedano, ortopedista e chefe de Ortopedia do Hospital Regional de Cotia.
No entanto, o especialista alerta que a rápida perda de peso e a redução da ingestão alimentar podem favorecer a diminuição da massa óssea e muscular. “A perda de massa óssea é incomum nessa idade. A osteopenia e osteoporose geralmente aparecem a partir da sexta década de vida, principalmente (mas não exclusivamente) em mulheres pós-menopausa. Porém, não dá para afirmar que, nesse caso, ela esteja relacionada ao Ozempic”, pondera o médico.
A osteoporose é uma doença caracterizada pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Estima-se que afete mais de 200 milhões de pessoas no mundo, sendo aproximadamente 30% das mulheres nos Estados Unidos e na Europa.
A prevenção é fundamental para manter a saúde óssea. “O melhor tratamento para perda óssea e muscular é a prevenção. A musculação é extremamente eficiente para isso e está indicada tanto para a prevenção como em quem já tem perda. A recuperação de massa óssea é difícil, mas parar ou reduzir o processo de perda é possível”, orienta Cedano. Além da musculação, medicamentos e alimentação adequada são fundamentais. “Nenhum deles deve ser feito sem a orientação de um profissional”, acrescenta.
A perda de massa óssea é silenciosa até fases avançadas, quando começam a surgir sintomas como dor e, mais tarde, podem ocorrer fraturas com traumas de baixa energia ou mesmo sem trauma. Microfraturas na coluna também podem levar a deformidade e perda de altura. “Mas a prevenção tem que começar muito antes de chegar nesse estágio”, alerta o médico.
A melhor forma de detectar precocemente a osteopenia (perda mais leve da massa óssea) e osteoporose (perda mais grave) é a densitometria óssea. “A densitometria óssea é um exame não invasivo e seguro que deve ser realizado para acompanhamento da massa óssea em pessoas na faixa de risco para osteoporose”, recomenda o ortopedista.
Em suma, embora não haja evidências conclusivas de que o Ozempic cause diretamente osteoporose, é essencial que o uso de qualquer medicamento seja feito sob supervisão médica, com monitoramento regular da saúde óssea e adoção de medidas preventivas para garantir o bem-estar geral.